Vivemos num período histórico conhecido por muitos como pós-modernidade, onde não existe verdade e sim "verdades", superadas, ressignificadas a cada instante, o que demanda uma gama de competências que nos impulsionam a buscar mais e mais conhecimento, valorizando o aprender sozinho.
Nesse sentido, o autor analisa que as pedagogias do "aprender a aprender" estabelecem uma hierarquia valorativa no que tange a aprender sozinho, contudo não se pode descartar a aprendizagem resultante da transmissão de conhecimento por alguem, uma vez que, segundo o autor, o indivíduo só poderia "aprender a aprender" se feito de maneira autônoma, considerando os conhecimentos que foram descobertos e elaborados por outras pessoas. Questionando, indagando verdades estabelecidas é que permite ao aluno construir suas próprias verdades, uma vez que "as únicas verdades reais são aquelas construídas livremente" (p. 37), através do interesse e necessidade da própria criança.
Essa sociedade pós-moderna se caracteriza por uma sociedade dinâmica, onde o conhecimentonão não é estático o que demanda uma educação a fim de preparar o indivíduo para acompanhar o acelerado processo de mudanças vivido na sociedade. Cada vez mais a sociedade atual exige competências necessárias, desenvolvendo o caráter adaptativo dessas pedagogias do "aprender a aprender", as pessoas estariam adaptando-se aos problemas consequentes da sociedade capitalista, usando assim sua criatividade, ou seja, "a criatividade em termos de capacidade de encontrar novas formas de ação que permitam melhor adaptação aos ditames da sociedade capitalista" (p. 39).
Cria-se então a ilusão de que a sociedade capitalista esteja passando para uma sociedade do conhecimento. De acordo com o autor, vivemos sim uma nova fase do capitalismo o que não significa uma mudança da essência capitalista. A sociedade do conhecimento seria então um fenômeno no campo da reprodução ideológica do capitalismo, uma vez que alega que o acesso ao conhecimento é para todos, assim como a habilidade de mobilizar conhecimentos é muito mais importante que a aquisição de conhecimentos teóricos.
Neste sentido, a função ideológica da sociedade do conhecimento seria enfraquecer as críticas radicais ao capitalismo, bem como enfraquecer a luta por uma revolução, que supere o capitalismo.